Mão
na argamassa
Por
Eder Santin
Um
grupo formado por cerca de 50 pessoas, representantes de 23
empresas ligadas ao chamado "subsistema
revestimento", resolveu "pôr a mão na
argamassa". Sob a organização da Associação
Brasileira de Argamassa Industrializada (Abai), reuniram-se
nesta sexta, 23, na sede da Associação Brasileira de
Cimento Portland (ABCP) para o 1º Encontro de
Fornecedores de Serviços de Execução de Revestimentos
Argamassados, evento que teve o objetivo de integrar
construtores, fabricantes de argamassa e aplicadores e
promover a melhoraria de desempenho do subsistema. "A
expectativa é que as partes se falem mais para que possamos
combater o desperdício e a falta de qualidade e de
racionalidade", explica João Carlos Schalch, da Lógica
Engenharia, uma das empresas especializadas em aplicação.
O
encontro resultou na formação de um grupo de apoio às
empresas de aplicação, que atuará em três grandes
linhas: mecanização da aplicação de argamassa,
procedimentos de garantia dos serviços, e aprimoramento técnico
e de gestão do negócio. No caso da mecanização, o
objetivo é disseminar tecnologias e aplicações, investir
em treinamento da mão-de-obra e adequar as argamassas à
mecanização. "Esse grupo vai desenvolver os temas e
propor ações que serão apresentadas provavelmente em
agosto ou setembro", afirma Carlos Cavini, secretário
da Abai.
Divisor
de águas
Este
1º Encontro de Fornecedores é considerado um divisor de águas
nas relações entre fabricantes, prestadores de serviço e
clientes, no caso, as construtoras. "Houve um
desarmamento das partes para unir esforços de conhecimento.
Patinamos muito tempo para encontrar culpados e descobrimos
que conhecemos pouco sobre revestimentos", diz Carlos
Barbara, da Barbara Engenharia e do SindusCon-SP. Segundo
ele, as discussões permitirão que os fabricantes redefinam
seu market share
(participação no mercado) com base na expectativa dos
clientes, enquanto aos aplicadores caberá investir mais em
treinamento da equipe. Aos construtores fica a tarefa de
orientar as necessidades. "A partir do momento que as
construtoras abrem suas portas, os profissionais da obra
poderão ser consultados e os ensaios necessários,
realizados".
Luiz
Henrique Ceotto, diretor da Inpar, avalia que o encontro
ficou "acima das expectativas". De acordo com ele,
a integração é sempre um processo difícil, mas neste
caso a dificuldade foi menor porque os aplicadores estavam
presentes. "A indústria e o aplicador têm de estar
mais próximos, pois é importante aplicar produtos
preengenheirados." Ao defender uma ligação direta
entre quem fabrica e quem aplica, Ceotto disse que "é
preciso criar elos e um processo de homologação dos
aplicadores".